Era uma vez um moleiro muito pobre, que tinha três filhos. Os dois mais velhos eram preguiçosos e o caçula era muito trabalhador.
Quando o moleiro morreu, só deixou como herança o moinho, um burrinho e um gato. O moinho ficou para o filho mais velho, o burrinho para o filho do meio e o gato para o caçula. Este último ficou muito descontente com a parte que lhe coube da herança, mas o gato lhe disse:
__Meu querido amo, compra-me um par de botas e um saco e, em breve, te provarei que sou de mais utilidade que um moinho ou um asno.
Assim, pois, o rapaz converteu todo o dinheiro que possuía num lindo par de botas e num saco para o seu gatinho. Este calçou as botas e, pondo o saco às costas, encaminhou-se para um sítio onde havia um lindo vinhedo. Quando ali chegou, pediu ao dono do vinhedo um bocado de uvas para que pudesse levar ao seu dono que havia perdido o pai. O dono da vinha então muito compadecido da situação do rapaz e do gato de botas encheu-lhe o saco com uvas bem rosadas.
Muito esperto o gato foi até a cidade e na rua mesmo começou a oferecer uvas rosadas aos que passavam ali. Naquele dia o gato vendeu todo o saco de uvas e levou uma boa quantia de dinheiro ao seu dono. Com o dinheiro o gato comprou roupas novas para o seu dono.
O gato de botas então contou ao seu dono como fez para conseguir este dinheiro.
- Senhor, eu fui até o vinhedo que fica no alto da colina e pedi um bocado de uvas. O dono da terra se compadeceu da nossa situação e me deu um saco cheio de uvas bem rosadas. Fui até a cidade e vendi todas as uvas, as pessoas ficavam impressionadas com a minha aparência. Agora vista esta roupa, pois vamos agradecer ao dono do vinhedo o que ele fez por nós.
E assim fez o filho mais novo do moleiro. Chegando ao vinhedo o gato agradeceu o que lhe tinha feito e disse que agora gostaria de comprar mais uvas para que pudesse vender na cidade. O dono da terra então vendeu mais dois sacos cheios de uvas rosadas. Chegando à cidade os dois venderam todas as uvas e levaram um bom dinheiro para a casa.
No outro dia fizeram a mesma coisa e assim fizeram por muito tempo. Até que um dia ao chegar ao vinhedo o dono não atendeu e pediu que os levasse até o seu quarto. Quando entraram viram uma enorme sala e uma casa que parecia ser um palácio. O dono do vinhedo estava deitado e parecia muito abatido.
- O que aconteceu? Perguntou o filho mais novo.
- Estou muito mal e tenho pouco tempo de vida. Em todos estes anos vivi sozinho e tudo para satisfazer a minha vontade de riqueza. Agora não tenho ninguém para deixar minha fortuna. Quero deixar todos os meus bens com vocês e quero que continuem trabalhando em meu vinhedo e vendendo uvas rosadas para que pelos menos a minha memória fique viva em parte desta cidade.
Pouco tempo depois o dono da vinha veio a falecer e o rapaz e o gato então se mudaram para a grande casa do dono da vinha e ali deram continuidade ao trabalho.
Certo dia chegou aos ouvidos do rei daquela província que havia uma vinha que era muito próspera. O rei então quis conhecer o dono desta vinha. O gato muito esperto sabia que o rei tinha uma bela filha e foi até o palácio real convidar a princesa a também conhecer a vinha. Rapidamente o rei e sua filha foram ao encontro daquele que possuía um belo vinhedo.
__ Bem vindo seja, senhor, ao palácio. Disse o gato.
__ Olá! - disse o rei
__ Que formoso palácio tens tu! Peço-te a fineza de ajudar a princesa a descer da carruagem.
O rapaz, timidamente, ofereceu o braço à princesa e o rei murmurou-lhe ao ouvido:
__ Eu também era assim tímido, nos meus tempos de moço.
Entretanto, o gatinho meteu-se na cozinha e mandou preparar um esplêndido almoço, pondo na mesa os melhores vinhos que havia na adega; e quando o rei, a princesa e o amo entraram na sala de jantar e se sentaram à mesa, tudo estava pronto.
Depois do magnífico almoço, o rei voltou-se para o rapaz e disse-lhe:
__ Jovem, és tão tímido como eu era nos meus tempos de moço. Mas percebo que gostas muito da princesa, assim como ela gosta de ti. Por que não a pedes em casamento?
Então, o moço pediu a mão da princesa, e o casamento foi celebrado com a maior pompa. O gato assistiu, calçando um novo par de botas com cordões encarnados e bordados a ouro e preciosos diamantes.
E daí em diante, passaram a viver muito felizes.






